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Ambiente - Ar interior contém riscos subestimados, alerta especialista
 
Um epidemiologista norte-americano alertou hoje em Lisboa para os riscos de saúde pública contidos no ar interior e para a escassez de informação sobre a toxicidade de substâncias e materiais existentes dentro dos edifícios.

John Spengler, que intervinha no ciclo de debates "Saúde sem Fronteiras" da Fundação Calouste Gulbenkian, preconizou uma mudança de prioridades no estudo da poluição ambiental, de modo que o ar interior deixe de merecer apenas dez por cento da atenção quando comparado com os 90 por cento dedicados ao exterior.

Um documento recente da Organização Mundial de Saúde referia a propósito que "as concentrações de poluentes no ar interior (óxido de azoto, monóxido de carbono, formaldeído e rádon) são frequentemente muito superiores às concentrações que se encontram no ar exterior".

Apesar das pessoas passarem cerca de 90 por cento das suas vidas em espaços fechados - desde a casa, aos transportes e ao local de trabalho - a questão da qualidade do ar dentro dos edifícios só começou a ser estudada a fundo nos Estados Unidos há cerca de 30 anos.

Segundo John Spengler, docente da Harvard University School of Public Health, as investigações iniciadas nos anos 70 sobre compostos orgânicos voláteis revelaram o impacto da exposição a um ambiente interior poluído no desenvolvimento de patologias cancerígenas.

Vinte anos depois, assinalou, o aumento da prevalência da asma transferiu a tónica dos agentes químicos para os biológicos. Dentro desses referiu o papel, ainda pouco compreendido, dos bolores e fungos nos sistemas respiratório e nervoso central.

Mais recentemente, estudos epidemiológicos realizados nos Estados Unidos, Canadá e Europa demonstraram a relação entre o aumento dos problemas respiratórios e a menor qualidade do ar interior.

E "novos indícios poderão sugerir que os agentes biológicos poderão não ser os únicos responsáveis por esses problemas de saúde", afirmou. "A hidrólise de materiais, porventura digeridos por microrganismos, deveriam suscitar uma reanálise da exposição aos químicos".

Presente na conferência, o Director-Geral de Saúde, José Pereira Miguel, admitiu uma grande insuficiência em Portugal quanto ao diagnóstico da situação e disse haver "um trabalho muito grande a fazer" quanto aos riscos, as tipologias de habitação que devem ser motivo de preocupação.

Nesse sentido, preconizou a criação de um fórum de discussão sobre esta matéria, com a participação de especialistas em física, ambiente e saúde, e a sua contribuição para o Programa Nacional de Saúde Ambiental e do Plano Nacional de Ambiente e Saúde.

Embora tenha recordado a ocorrência de casos em Portugal em que foi posta em causa a qualidade do ar interior - devido à existência de amianto em edifícios públicos, o aparecimento de legionela em instalações hoteleiras e hospitalares, além de estudos sobre rádon e pesticidas - José Pereira Miguel considerou que "a avaliação, a gestão e a comunicação dos riscos do ar interior ainda não estão dentro das preocupações comuns".


Lusa

 

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