A colisão de um projéctil com um cometa, a 133 milhões de quilómetros da Terra, produziu hoje uma nuvem brilhante de partículas e uma cratera que ajudarão a compreender melhor a formação do sistema solar.
"Está confirmado. As imagens são incríveis", disse pouco depois do impacto com o núcleo do cometa Tempel 1 um porta-voz do Laboratório de Propulsão por Jacto (JPL) da NASA, responsável pela missão.
"Acertámos exactamente onde queríamos. Isto é espectacular", acrescentou, depois de ver as primeiras imagens da colisão enviadas pela sonda Deep Impact, que lançou o projéctil a 500 quilómetros de distância.
"A nuvem é muito mais importante do que esperávamos", segundo um dos técnicos do JPL.
Meia hora depois do choque, a sala de controlo do JPL continuava a receber imagens cada vez mais precisas do núcleo do Tempel 1 e da explosão provocada pelo módulo "Impactor".
A colisão, ocorrida pouco antes das 07:00 (hora de Lisboa) a 37.000 quilómetros por hora, foi detalhadamente observada e filmada por câmaras e outros instrumentos de medição instalados a bordo da Deep Impact.
O fenómeno foi também observado por uma enorme constelação de centros astronómicos, entre os quais os telescópios Spitzer, Chandra e Hubble, bem como pelos principais observatórios terrestres, incluindo o ESO (Observatório Europeu do Sul), situado no norte do Chile.
Quando se dissipar a nuvem em forma de cone invertida se dissipar e o pó assentar, os cientistas esperam poder estudar em pormenor o local da colisão, com as dimensões de um estádio de futebol e a profundidade de um prédio de 14 andares.
Antes do impacto, o projéctil corrigiu três vezes a sua trajectória e enviou uma fotografia do cometa em que este aparece com uma forma de pêra esbranquiçada em que se destacam várias crateras.
Foi a primeira vez que uma nave atingiu a superfície de um cometa, provocando a primeira sessão de fogo de artifício do espaço, que coincidiu com o feriado do Dia da Independência dos Estados Unidos.
O projecto Deep Impact, orçado em 333 milhões de dólares (275 milhões de euros), tem por objectivo determinar a composição do cometa.
Segundo os cientistas, os cometas contêm os materiais originais do sistema solar, servindo o seu estudo para aprofundar os conhecimentos sobre a sua formação.
Uma das teorias sobre a existência de água na Terra diz que ela foi trazida do espaço durante um bombardeamento de cometas ou asteróides há 4 mil milhões de anos.
A colisão cósmica não alterou significativamente a órbita do cometa em volta do Sol e a NASA diz que a experiência não representa qualquer perigo para a Terra.
Lançada de Cabo Canaveral (Florida) a 12 de Janeiro, a sonda Deep Impact efectuou em 173 dias um percurso de cerca de 431 milhões de quilómetros até se aproximar do Tempel 1.