As Associações de Pais dos alunos da Escola Portuguesa e do Jardim-de-Infância D.José da Costa Nunes vão alertar o presidente da Fundação da Escola Portuguesa, Roberto Carneiro, para a definição das condições das novas instalações.
Actualmente a funcionarem em complexos separados, a Escola Portuguesa de Macau e o Jardim-de-Infância D.José da Costa Nunes vão estar integrados no mesmo espaço físico quando todo o complexo escolar em língua portuguesa for transferido para a ilha da Taipa, mas as condições definidas pela Fundação da Escola Portuguesa tem deixado os pais apreensivos.
"Está em causa o projecto, as melhores condições prometidas, espaços mais amplos e de melhor qualidade que não estão previstos no programa de espaços enviado aos arquitectos consultados para realizarem o projecto", disse José Oliveira Paulo, presidente da Associação de Pais dos Alunos da Escola Portuguesa.
Depois de uma reunião, na noite de quarta-feira, com a associação de Pais dos Alunos do Jardim-de-Infância D.José da Costa Nunes, as duas associações decidiram enviar um memorando a Roberto Carneiro com o objectivo de o alertar para diversos problemas.
"Não estão definidas áreas de recreio e espaços desportivos ao ar livre, não se percebendo porque razão não foram incluídos neste programa os vários espaços livres que a escola vai ter", salientou Oliveira Paulo.
O mesmo responsável diz que os pais estão preocupados com o aumento de 15 para 25 do número previsto de crianças por turma desde o pré-escolar - o mesmo número médio de alunos por turma até ao 12º ano - que foi considerado no referido programa.
Acrescentou também ser "minimalista" estar a ser projectada uma escola que pretende cativar mais alunos com uma capacidade para 850 estudantes - semelhante actual à população estudantil das duas instituições.
Além disso, continuou, vai avançar a reforma educativa aprovada pelo ex-ministro David Justino - que prevê duas vias de ensino, uma com a língua chinesa obrigatória e outra semelhante à actual, mais direccionada a estudantes que irão regressar a Portugal - sem entretanto estar concluído o programa que poderia transformar a escola portuguesa numa escola internacional de excelência em Macau.
"Ao mesmo tempo que se avança com uma reforma curricular, encomendam-se estudos para outra reforma o que não faz qualquer sentido nem é forma de cativar novos alunos", disse.
Oliveira Paulo sustentou ainda que a Fundação da Escola Portuguesa "não deve colocar interesses privados à frente do interesse de Macau e dos alunos da Escola Portuguesa".
"A Escola Portuguesa foi inaugurada no ano lectivo de 1998/1999 e desde essa altura que se fala na introdução da língua chinesa e agora, que se pretende estudar a viabilidade de uma escola trilingue, querem arrancar com um projecto que daqui a um ano pode não se mostrar adequado", afirmou ainda.
Lusa