O ministro da Saúde, António Correia de Campos, reconheceu hoje que o problema da Sida em Portugal requer "uma actuação urgente no relance da prevenção e combate" desta doença que anualmente mata mil portugueses.
A sida "constitui ainda um problema sério de saúde em Portugal, com quase mil óbitos anuais e elevadas taxas de incidência", disse Correia de Campos na 58ª Assembleia Mundial da Saúde, em Genebra.
Segundo o ministro, trata-se de um problema que requer "uma actuação urgente no relance da prevenção e combate à doença, através da promoção de acções e campanhas de informação/sensibilização, tendo em vista a modificação efectiva de comportamentos".
A questão do Vírus da Imunodeficiência Adquirida/Sida foi enumerada por Correia de Campos como um dos "três eixos da agenda do programa do Governo", em que consta ainda o envelhecimento em saúde e a reforma do sistema de saúde, "de forma a torná-lo justo, eficiente e flexível".
"O envelhecimento demográfico e as alterações no padrão epidemiológico e na estrutura social e familiar verificadas em Portugal determinam novas necessidades, para as quais urge encontrar respostas", disse Correia de Campos.
A nível das pessoas idosas, o ministro afirmou que, nesta fase da vida, devem ser privilegiados "a família (capacitando-a para a prestação de cuidados informais), os prestadores de cuidados a pessoas idosas e dependentes (capacitando-os para reforço ou recuperação da funcionalidade, autonomia e independência), os centros de saúde (através das unidades de saúde familiares) e os hospitais (através da hospitalização no domicílio, usando como critério a fragilidade e a necessidade de cuidados preventivos e antecipatórios) e os cuidados continuados integrados e os serviços comunitários de proximidade".
Quanto à toxicodependência, Correia de Campos frisou que "Portugal tem registado, nos últimos anos, subidas significativas dos consumos ditos gerais nas camadas mais jovens e no interior do país".
Por outro lado, disse, "no meio prisional, cerca de metade dos reclusos estão a cumprir penas devidas a crimes relacionados com a droga".
"Portugal irá adoptar uma estratégia que permita relançar a prevenção do consumo de droga, associar prevenção, tratamento, redução de riscos, minimização de danos e inserção social, baseando na proximidade o sistema de prevenção primária em meio familiar, escolar, recreativo e de lazer, em articulação com a sociedade civil", adiantou.
Para o ministro, "a política de combate às toxicodependências passa pela promoção de acções destinadas a contrariar o consumo excessivo do tabaco e do álcool, sobretudo entre os mais jovens e em espaços públicos".
"Será promovida a articulação da estratégia de combate à droga com as estratégias de prevenção de excesso do álcool e do tabagismo, bem como do VIH/SIDA, de modo transversal", disse.
Sobre "a reforma do sistema de saúde em Portugal", Correia de Campos explicou que esta "visa ampliar a acessibilidade, qualidade e equidade, procurando a sustentabilidade financeira no médio e longo prazos".
"Os cuidados de saúde primários são o pilar central do sistema de saúde, devendo os Centros de Saúde ser reestruturados em Unidades de Saúde Familiares", disse.
"Na organização hospitalar estamos a promover o aumento da sua efectividade e eficiência, sem comprometer a acessibilidade, para o que serão aperfeiçoados mecanismos de referenciação dentro do sistema", acrescentou Correia de Campos.
Lusa