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Economia
 
 
Crédito bancário em risco aumenta para 11,2% do total
 
O volume de crédito em risco que os bancos têm nas suas contas voltou a bater um novo máximo no terceiro trimestre de 2013, com o rácio face ao total de empréstimos a aumentar para 11,2% — era de 10,6% no trimestre anterior.

Os dados constam da mais recente avaliação trimestral ao sistema bancário português realizada pelo Banco de Portugal e reflectem, na opinião do supervisor, “o agravamento das condições macroeconómicas em que o sistema tem operado nos últimos anos, repercutindo a redução da actividade económica e do rendimento disponível” em Portugal.

Entre os sectores que mais contribuem para o aumento do crédito em risco, a liderança cabe aos empréstimos para consumo e outras finalidades, com um rácio global de 17,7% (17,2 no trimestre anterior) face ao valor total emprestado. Seguem-se as empresas não financeiras, com um rácio de 17,1%, embora aqui, o aumento do incumprimento seja mais substancial (1,7 pontos percentuais face ao segundo trimestre de 2013). Segue-se, a uma significativa distância, o crédito para aquisição de habitação, que manteve, no terceiro trimestre, um nível de 6%.



Como consequência deste agravamento do rácio de crédito em risco, aumentou, também, o nível de imparidades constituídas bancos para responder a este tipo de situações. No terceiro trimestre, as imparidades representavam 6,1% do crédito concedido bruto, um aumento de 0,2 pontos percentuais face à média dos três meses anteriores.

O Banco de Portugal sustenta que, apesar dos sinais de melhoria da conjuntura económica, que deverão ser replicados nos últimos três meses do ano passado, tal será, ainda, “insuficiente para inverter a tendência de agravamento do rácio de crédito em risco”.

Neste quadro, a rendibilidade dos bancos que operam em Portugal irá continuar “sob pressão”, segundo a entidade supervisora. No terceiro trimestre, a rendibilidade dos capitais próprios (ROE) manteve-se em terreno negativo (-0,5%) e a rendibilidade dos activos registou alguma melhoria, passando de -8,4% para 7,8%.

Dependência do BCE aumenta
Num contexto de manutenção da instabilidade na obtenção de linhas de financiamento, o relatório “Sistema Bancário Português — desenvolvimentos recentes” do Banco de Portugal assinala que voltou a aumentar a dependência dos bancos que operam no país face ao Banco Central Europeu.

No final do terceiro trimestre de 2013, os recursos captados junto do BCE ascendiam, para a globalidade do sistema bancário, a 55,4 mil milhões de euros, bem acima dos 53,2 mil milhões apurados no final do trimestre anterior. No final de 2010, o recurso ao BCE não chegava aos 50 mil milhões de euros, mas no auge da crise financeira (início de 2012) chegou a ultrapassar os 64 mil milhões de euros.

Mesmo assim, o BCE continua a ser uma pequena parcela na estrutura de financiamento da banca portuguesa. O grosso da coluna (sensivelmente metade) é constituído pelos depósitos dos clientes, que se têm, aliás, mantido estáveis desde 2010.

O Banco de Portugal assinala, ainda, que num quadro de contracção do produto bancário, se verificou um agravamento do rácio de custos face às receitas (cost-to-income). “A redução dos custos operacionais não acompanhou o ritmo de redução das receitas bancárias, apesar dos programas de reestruturação de negócio em curso em alguns dos maiores bancos do sistema”, refere o relatório.

Quanto às taxas de juro, a remuneração de novos depósitos continua a diminuir, “enquanto as taxas de juros para novos empréstimos se mantêm elevadas, contribuindo positivamente para a margem financeira”. No final do trimestre, as taxas pagas nos depósitos de particulares estavam perto de 1,2%, prosseguindo, mesmo assim, uma ligeira desaceleração, enquanto os das empresas não financeiras encostaram nos 2%. A remuneração aplicada aos empréstimos para aquisição de habitação fixaram-se no período pouco acima dos 3%, enquanto para as empresas os juros pedidos estavam nos 5,5%, em queda face ao trimestre anterior.


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